Notícias em Debate — Mais tempo em tela não significa menos atenção infantil

Foto de uma criança sentada numa carteira escolar manuseando um <i>tablet</i>.
Em meio ao acalorado debate sobre a atenção como recurso em disputa no embate entre as big techs e o campo educacional, o estudo Tecnologias Digitais e o Desempenho da Atenção, publicado na Educação em Revista, oferece uma contribuição fundamental ao desconstruir a premissa simplista de que "mais tempo de tela" equivale automaticamente a "menos capacidade de atenção". Ao comparar crianças brasileiras e portuguesas de seis a oito anos, a pesquisa de Daniela Karine Ramos (UFSC) e colaboradores não encontrou qualquer associação direta entre a quantidade de horas diante de dispositivos digitais e o desempenho em testes de atenção concentrada, dividida e alternada. O estudo aponta que as reais diferenças no desempenho atencional das crianças estão provavelmente enraizadas em condições socioculturais e, crucialmente, em políticas educacionais como a oferta de tempo integral e a organização pedagógica. Assim, a pesquisa reinsere o debate no seu devido lugar: não como uma fatalidade biológica determinada pelas telas, mas como uma questão de disputa política por modelos de ensino e pela qualidade das experiências educativas, sugerindo que as tecnologias digitais, em vez de serem vilãs, podem ser aliadas em práticas pedagógicas conscientes que efetivamente mobilizem a atenção para a aprendizagem. O que você pensa sobre esse assunto? Converse conosco no nosso perfil no Mastodon. Link para o resumo publicado no blog da SciELO Brasil. Link para o artigo do original publicado na Educação em Revista.