Em preto e branco

Equivalente a um livro de 40 páginas, este artigo é um ensaio sobre teoria cognitiva, propósito de vida e valores universais. Surge do meu ponto de ruptura com os propósitos e planos de vida ilusórios que me foram apresentados por uma civilização decadente. É a necessidade de re-formular os planos para poder seguir em frente. Meu público alvo são as pessoas de tipo Intuitivo Racional (NT), pois as propostas para a harmonia cognitiva partem da justiça sobre o amor.

Introdução

Estruturas estão presentes em receitas, obras de arte e na própria constituição fisiológica do corpo humano. Há um esqueleto, músculos, reservas de gordura e sangue, articulações, veias e artérias, pele e assim por diante. Tudo unido em um formato harmônico bem desenhado. Sob o rosto bonito de uma jovem ou do corpo austero de um homem forte há uma estrutura complexa.

Uma torta de limão pode ser tentadora. Há um processo que a torna assim. A vida dela começa assim que são misturados os ingredientes para fazer a massa – imagine a bagunça – moldar e rechear. Quem faz a própria comida entende cada pedaço da mesma. Orgulho saudável do cozinheiro Vs o espanto do cliente que é acostumado com pratos prontos e fica emocionado com a novidade.

Há coisas que já nos são apresentadas prontas mas no curso da vida há uma necessidade de montar outras mais importantes. As coisas que nossa consciência já nos apresenta como prontas tendem a buscar as oposições polares. Isso é ainda mais evidente na personalidade do ser humano. A conquista da própria alma é, também, a arte de dominar nossa natureza que está em oposição polar ao que somos. É a princesa dos contos de fadas (ou o principe, para as moças).

Agora vou apelar para a teoria cognitiva. Alguém que até os 20 anos dominou as duas primeiras funções cognitivas – o que é, digamos, o curso saudável do desenvolvimento de alguém, ainda que alguns cientistas neguem a teoria do desenvolvimento dos tipos enquanto outros obtém resultados brilhantes a partir dela – terá a segunda etapa destinada à dominar as funções em oposição polar. O ser humano ideal não nasce pronto, mas é o fruto da experiência e das escolhas que faz. Cada etapa representa uma dificuldade que deverá ser superada.

Não é atoa que a vocação é a síntese, também, do desenvolvimento da 3ª (de 4) função cognitiva. Pois quando as 3 primeiras funções estão alinhadas é de se esperar que a quarta fique estável. Cada tipo, em cada pessoa, represeta uma jornada diferente. A função cognitiva guiadora pode ser a mesma em um tipo, mas cada membro poderá expressar de uma maneira diferente.

As religiões, no geral, usam dos anjos como forma análoga de representar o ser humano perfeito. A diferença é que os anjos já nascem com a perfeição. No entanto, o ser humano torna-se perfeito escalando cada degrau da escada da perfeição através das próprias escolhas. Enquanto os demônios são formas de perversão de tudo o que é bom, como se não fossem planejados mas meramente permitidos.

Ponto de ruptura

Sísifo

Sísifo recebeu esta punição: foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido.Wikipédia

Um tema ideal para Sísifo seria a Silentium de Arvo Pärt.

É um castigo que mudou a Tabula Rasa, no sentido da estrutura da alma, de modo que a mesma deverá entrar em looping infinito até segunda ordem. O castigo torna-se, portanto, a estrutura do ser. O propósito da existência. O inicio e o fim. Também pode ser argumentado que a alma é apenas a estrutura de perceção pura e simples, de raciocínio em preto e branco que diz respeito apenas às escolhas binárias de sim e não.

Ainda que há pessoas que não concordem se a consciência humana, a individualidade e a síngularidade do ser comecem no cérebro, tentarei usar alma como sendo a estrutura de base da consciência. Base, no sentido de onde começa a existir a noção de ser e estar. Que é a percepção – da própria mente, inclusive – e as respostas entregues aos estímulos. Como gosto de mencionar em meus artigos, lembrem-se do desenho Ghost in The Shell.

Ghost, alma, Shell, interpretador de comandos do sistema operacional. Seja uma alma artificial ou humana, uma das questões mais importantes para o ser humano é o que realmente é a alma humana?

No sentido da Tabula Rasa, o Sísifo que está carregando a pedra é a tinta e o que está percebendo tudo, dentro dele, escolhendo continuar com o castigo – ou se entendendo como forçado, já que ele poderia simplesmente largar a porra da pedra e subir a montanha buscando uma saída, nem que tenha que morrer no mundo dos mortos – que é seu verdadeiro ser, ou melhor, a alma (Ghost). O castigo é a tinta que Sísifo deverá raspar da própria alma. Mas especular sobre Sísifo ter ou não ter como sair do castigo não vem ao caso.

É sobre looping que estou falando. O castigo de terminar um processo doloroso e encontrar a necessidade de repetir tal processo como única forma de seguir em frente. Do contrário, o que deverá ser feito é apenas andar pelo vázio esperando que a sorte entregue alguma outra alternativa mais interessante. O elo que tem com a linha de raciocínio inicial é bem simples: imagine que alguém preencheu a própria personalidade, com determinadas escolhas em relação a tal função cognitiva, e depois encontra-se em um momento da própria vida onde percebe que se encheu de veneno e deverá re-começar o processo, reconstruindo a própria personalidade.

Agora uma proposta para tornar o pensamento ainda mais simples. Sabemos que um vício cria um caminho cerebral que será reforçado a cada nova descarga de dopamina. ‎‎O ΔFosB é a proteína que o cérebro usa para fortalecer os novos caminhos neurais. Abundante na infância e juventude, mas que se reduz de maneira progressiva alimentando o ditado lobo velho não aprende novos truques.

Podemos criar um caminho neural saudável, como ao repetir uma vítude – no caso das artes marciais, por exemplo, não adianta aprender uma técnica para ser bom lutador, pois quanto mais ela for treinada melhor será a resposta tática durante a luta – ou não. Uma simples proteína pode mudar o rumo do cérebro. São nossas escolhas, de nossos hábitos, que vão determinar qual rede neural será mais bem estruturada e fortalecida por conta dela.

Claro, há muito mais coisas envolvidas. Mas se a composição bio-química do cérebro pode influênciar nas escolhas, sabemos que ele pode ser sabotado. Uma simples memória pode destruir a melhor das consciências. Doenças como esquizofrênia podem alterar a percepção da realidade por completo e detonar o sujeito, que terá que fazer escolhas com base na influência de um mundo completamente subjetivo.

Em um sonho, alguém poderá fazer coisas que sequer teria a coragem de fazer acordado. Pois está em uma outra realidade, recebendo outros estimulos. Mas ainda tem noção de que não é outra pessoa, mas continua sendo ninguém menos do que a mesma consciência que faz escolhas em tal corpo quando está acordado (ou no outro corpo, se sonhar ser outra pessoa, com outras memórias e em outra vida e ainda tem o caso dos sonhos onde somos apenas meros observadores, como num filme).

Logo, vamos supor uma estrutura do ser que não pode ser afetada pelas memórias, mas que escolhe o processo de como vai ler as memórias (mesmo que esteja, digamos, em outro corpo; o mesmo ghost mas em outro shell). Não pode ser afetado pelos sentidos, mas escolhe como vai interpretar os dados dos mesmos. Em suma, é a estrutura de base da personalidade cuja vida é o processo onde vamos moldando a mesma através das escolhas que nos são apresentadas. São as preferências cognitivas livres de perturbações, doenças e assim por diante. É o ponto de ruptura.

A união dos tipos

MBTI

Tentarei facilitar a leitura para os leitores que não estão familiarizados com a tipologia de Myers Briggs. Alguma noção da mesma será necessária para compreender o sentido alguns fenômenos que vou expor até chegar nos universais independentes de tipos e afins. Logo, quando um termo parecer incompreensível por eu não ter facilitado o bastante, o leitor terá que fazer algumas breves pesquisas.

O que vou descrever aqui pode penetrar mais fundo em pessoas cujo tipo psicológico tenha como função auxiliar – ou mesmo dominante – a intuição introvertida (Ni), que são estes 4: INFJ, ENFJ, INTJ e ENTJ. São pessoas orientadas por metas, propósitos e significado de vida. Uma ruptura com o propósito de vida cultivado logo nas primeiras etapas da mesma joga a pessoa no limbo. É um estado de choque, revolta, tristeza e, por fim, de aceitação. Confrontar um ideal morto é como tentar voltar do inferno escalando uma montanha, carregando uma pedra.

No caso dos tipos NJ a função Se – explicando resumidamente, são as Sensações extrovertidas, onde o ambiênte externo é a fonte de estímulo que é diferente das Sensações introvertidas pois estas olham os detalhes do ambiente e comparam com as memórias empíricas – surge ou como terciária ou como inferior – mecânismo de defesa ou um estado mais depressivo – e o sujeito começa a buscar outro propósito de vida que esteja relacionado com a causa que trouxe o anterior. Seria um desejo de vingança? Justiça? Deixar um mundo melhor para os filhos? É nesse momento que entra a função emocionalidade. Os valores da pessoa tornam-se a balança que definirá o novo destino.

Mesmo o mais frio dos psicopatas necessitam de alguma emoção, por mais ofuscada que esteja, para escolher as próprias ações. Aprovação social? Prazer? Metas? Idéias? Continuar vivo? Alguma coisa vai guiar o sujeito. Mesmo a mente mais preta e branca, composta de estruturação racional pura e esimples, terá alguma energia, digamos, vida. A função mais básica da alma humana que é a de receber os dados e dizer sim ou não para as ações propostas sobre os mesmos. A parte mais independente.

Lembrando que um ser humano pode ter propósitos de vida mas não necessariamente como a função cognitiva orientadora. Os ideais, em alguns casos, são irrelevantes ou simplesmente um mal necessário. Mas em outros, é algo tão sagrado que torna-se parte da própria personalidade. Ideais enganosos ou parasitas não podem ser aceitos de maneira alguma. Os conservadores possuem pavor de largar as próprias tradições – dentre eles alguns SJs – mesmo que elas já tenham sido abandonadas ou mesmo nunca deram certo, pois eles dependem da rotina amparada pela experiência (pois já é senso comúm amparado pela experiência da teoria cognitiva que a função Si, sensibilidade introvertida, tem pavor de novas experiências que quebram a rotina).

Enquanto o NJ usa do sistema como forma de atingir um ideal, um propósito ou mesmo sentido, o SJ usará do mesmo para manter a ordem vigente e a estabilidade. Um lutará para atingir um patamar elevado enquanto o outro vai lutar para proteger o que foi conquistado. O conquistador e o conservador. Ambos necessitam de conquistas materiais, mas o que difere é o destino, pois um lado é focado na segurança e o outro no desenvolvimento.

Em suas oposições polares, os outros tipos tendem a fazer as mesmas coisas como forma de demonstrar amadurecimento, já que tais funções estão presentes neles como oposição as dominantes e auxiliares. O que para um é a orientação, para outro permanece desconhecido até a idade adulta mais avançada. Muda a ordem que poderia ser: cumprir o dever, para depois curtir Vs Curtir o máximo antes de começar o dever. Ou seja, há pessoas que necessitam de atividades lúdicas enquanto outras necessitam da sensação de dever cumprido. São partes que se completam, como na estrutura da alma: NT<–>SP, NP<–>SJ.

Há quem diga que eu estaria dizendo que os tipos Prospecting são uns vagabundos preguiçosos enquanto os Judgers dão duro antes de curtir a vida. De fato é o que a experiência pessoal de muitos – a minha inclusa – mostra, no entanto, vale lembrar que estar com as obrigações em dia não é a função cognitiva orientadora em boa parte dos casos. Muitos não buscam uma ordem externa – seja de cunho emocional, FJ, ou a justiça pura e simpels, TJ – mas estão focados, nas funções de julgamento, na ordem presente no universo interior antes da exterior.

Isso é bom. É necessário. Imagine o que seria de nós sem os avanços dos tipos lógicos/matemáticos – racionalidade introvertida, Ti, caracterizada pelo tipo TP e, em especial, o INTP ou Lógico – ou sem a mitologia de Tolkien – um caso raro de um INFP que amadureceu antes da hora por conta da guerra e ao contrário de muitos jovens medrosos que temos hoje criando alguns estereótipos de tipo que fogem da proposta da teoria cognitiva.

É, pois, como na conquisda da princesa dos contos de fadas. Uma parte da alma voltada para a contemplação e outra para a ação. O significado está onde, na contemplação ou na ação? Está dentro ou fora? O correto é que hája um ponto de equilíbrio. O assunto que trato aqui pode ser, para uns, questão de amadurecimento e, para outros, as bases para a própria vida. Inda que eu esteja falando do motor que levará a conquista de um ideal, uma função conquistadora, o mesmo deverá ser preservado, uma função conservadora e é agora que entra a universalidade deste texto. Nota-se a necessidade das divergências das preferências cognitivas para a manutenção de uma sociedade humana saudável. Também existe uma necessidade, que a própria natureza já está suprindo, de que alguns tipos existam menos – ou mais – do que outros. Igualdade é algo que a própria natureza das divergências cognitivas provou que dá errado.

Logo, temos preferências cognitivas que podem variar conforme cada pessoa. Sabemos que o ideal é que estejam em harmonia pois quando uma sufoca as outras surgem neuroses de todos os tipos. O que levará, mais adiante, nas reflexões sobre o raciocínio em preto e branco que está no começo e no fim das preferências cognitivas de cada um. Mas antes disso, tenho que passar nos degraus que se referem aos propósitos de vida e alguns processos para atingir a harmonia cognitiva.

Harmonia cognitiva

Algumas frases sobre beleza extraídas do livro Da Arte do Belo, de Carlos Nougué.

“Para a beleza, requerem-se três coisas. Primeiro, sem dúvida, a integridade ou perfeição: as coisas que são diminutas, com efeito, são por isso mesmo feias. E a devida proporção ou consonância. E ainda a claridade. daí que se digam belas as coisas que têm cores nítidas” – Santo Tomás de Aquino em Suma Teológica.

“Suscitando a compaixão e o terror, a tragédia tem por efeito [...] a purgação dessas emoções”. Arístóteles em Poética.

Por fim, do próprio Carlos Nougué:

O homem é um animal de contemplação, de ação e de produção. Das obras que produz, umas são para uso ou benefício do corpo – são as artes chamadas servis –, enquanto outras são para uso ou benefício de seu espírito – são as artes ditas liberais. Entre estas, há aquelas que, mediante o belo, visam a fazer o homem propender ao bom e ao verdadeiro, e, mediante o horrendo, visam a fazê-lo afastar-se do mau e do falso: são as Artes do Belo, ou seja, a Literatura, o Teatro, o Cinema, a Música, a Dança (= Balé), a Pintura, a Escultura e, por certo ângulo, a Arquitetura.

_ É inegável a importância das Artes do Belo para a constituição de uma sã personalidade e para a formação da civilização. Vemos o Gênesis referir a invenção da arte da cítara e da flauta. Vemos as epopeias homéricas contribuir para a educação ético-política de gerações na Grécia antiga. Vemos a arte de Virgílio servir de alicerce para o Império Romano. Vemos os templos cristãos ser como “museus” de todas as artes em ordem à salvação das almas. Mas também vemos Platão, Aristóteles, Agostinho, Boécio, Tomás de Aquino estudá-las filosoficamente, com o que fundam uma ciência que se pode chamar poética e que se subordina à Lógica, à Política, à Teologia Sagrada._

A harmonia cognitiva é o estado que todos necessitam. Nossa personalidade é moldada por elementos internos e externos no presente, passado e futuro. Nossas memórias nos influênciam na medida em que damos algum significado. Nosso estado presente – nutrição, clima, saúde, beleza do ambiente, controle da situação, confiança e muitas outras coisas – é outro elemento da personalidade e a síntese de presente e passado é o que determina se estamos com esperança ou desespero no que tange o futuro. A harmonia cognitiva é quando todos os elementos que se relacionam com o nosso ser estão trabalhando juntos, na mesma medida e sem que um force o outro. Em suma, é também conhecido como estado de paz. O formato final é belo, bem estruturado, a energia corre sem perturbações ou instabilidades e ocorre o descanso.

“[...]então a mente funcionará devidamente ordenada. E, devidamente ordenada, estará em repouso. E estando em repouso, terá clareza de percepção. E, tendo clareza de percepção, estará incondicionada. E, estando incondicionada, estará no estado de inação pelo qual nada existe que nãsa ser conquistado.” – o Caminho do Dao.

O clima confortável, uma casa aconchegante e uma família acolhedora e bem estruturada faz toda a diferença no processo. A música também. Na verdade, ela pode servir tanto de anestésico para uma realidade dura como veneno para estimular os estados mais abomináveis que um ser humano pode ter. Desenvolver o bom gosto musical é uma etapa fundamental no desenvolvimento das emoções e da personalidade. Não sou de racionalizar emoções – pois é algo que deve ser sentido – mas no que tange a música é o que diz respeito a necessidade humana de se alimentar Das artes do Belo – que também é o tema do livro de Carlos Nougué. Ainda que o sujeito não tenha alguma religião, o consumo de boa arte é o que vai produzir emoções saudáveis na tomada de decisão. Pode ser impactante ao ponto do sujeito se corromper ou adotar alguma religião ou filosofia de vida pelo simples fato da carga emocional que a acompanha ser forte e bela.

Poucas pessoas conseguem a ordem interior num ambiente externo. A influência que o mesmo pode ter sobre as nossas emoções é gritante e é algo que pode esmagar qualquer um. Claro, como vemos em relatos dos campos de concentração, há quem tenha conseguido encontrar beleza e ordem no meio do inferno. Nem que seja o mero pôr do sol e uma esperança de um futuro ideal – ou mesmo da imagem do céu.

Logo, a alma aspira por beleza. É algo que foge do entendimento pois está nas bases. Ouça estas músicas:

São a beleza pura e simples. Chega através de sensações, afetando diretamente as emoções e rompendo qualquer barreira racional, por mais dura que a pessoa seja. Quem quer que leia O livro de ouro da história da Música por Otto Maria Carpeaux ficará espantado porque o desgaçado não se contentava apenas com a sensibilidade de ouvir a música, mas de ler a partitura e encontrar as músicas que se dirigem aos sentidos ou ao intelecto! Na própria representação das músicas existe ordem, que leva até a beleza.

Outras apelam para a imaginação subjetiva (que dependem do eco que vai fazer na experiência daquele que escuta):

E, por fim, há músicas que querem contar uma história específica e emitir a carga emocional da mesma.

Elas nos deixam em estados emocionais. Rompem as barreiras do cérebro pois o moldam. Claro, há bestas que preferem moldar o cérebro com histórias de sexo, ostentação e drogas acompanhadas da emoção do mais completo ódio e caos. Alguns lixos musicais parecem mais furadeiras ou liquidificadores (ou mesmo retardados mentais fazendo sons esquisitos e cuspindo no ouvinte).

No entanto, ainda sim, são emoções. São estruturas cerebrais. O objetivo da harmonia cognitiva é a paz. A música que leva a paz tende a nos deixar em um estado de jovem apaixonado. Uma mistura de indiferença com clareza de percepção do mundo externo. É o foda-se tudo, exceto essa sensação boa. É nesse estado que temos capacidade de fazer boas escolhas, pois amamos a beleza em si mesma.

O que acontece com músicas temáticas é o efeito de significar a beleza. “Que, mediante o belo, se ordenam a fazer o homem propender ao bom e ao verdadeiro, e, mediante o horrrendo, a fazê-lo afastar-se do mau e do falso”. Outras já tentam empurrar algum produto, religião, partido e afins para a pessoa, pois, a primeira impressão é a que fica. Já eu entendo como sendo o melhor na formação do ser a contemplação pura e simples daquilo que é belo em si mesmo.

A pessoa deve reconhecer a beleza. Reconhecer algo que é bom para s e para o próximo. A música faz parte do processo de tal educação. A literatura, quando está próxima da realidade dos fatos e da natureza humana, ajuda na significação de muitas coisas. É o momento de se colocar no lugar do próximo e avaliar se o que está acontecendo é justo e bom para todos. Por fim, o senso de medidas e proporções que todo ser humano saudável deve ter para que qualquer raciocínio seja verdadeiro.

O que uma pessoa idealiza como o local adequado para estar em paz? Onde entra o conformismo, satisfação, insatisfação e revolta? É o que a personalidade de cada um vai gritar para o mundo. O que vamos defender, atacar, destruir e construir? São mutações, movimentos e uma constante que observamos até mesmo no universo. Por estar em movimento, a forma que o universo usa para se equilibrar é o confronto entre forças polares que se alternam periódicamente para que uma não destrua o lado bom da outra e vice-versa. É o Yin e Yang.

Amor Vs. Ódio. Alegria Vs. Tristeza. Coragem Vs. Temor. Há uma necessidade para cada uma dessas coisas. Uma direção adequada. A ordem, por fim, na harmonia cognitiva, é quando os processos de emissão de energia que pertencem a cada uma dessas emoções correm nas direções adequadas. Quanto mais próximo da ordem uma mente está, quando ocorrem os momentos de caos, ela tem um senso de direção para onde ir. O propósito da educação, por fim, é fornecer tal senso de direção.

Logo, a harmonia cognitiva é o senso de direção que pode ser obtido quando as funções cognitivas estão bem direcionadas. A educação é o processo usado para obter a mesma. Por fim, a personalidade é, também, a forma como a pessoa vai lutar pela harmonia por conta das preferências cognitivas.

8 forças

8 Trigamas

É a expressão de 8 forças presentes na alma humana, que convergem para lados diferentes, sendo que cada pessoa usa 4 delas sobre as oposições polares, já que são 4 grupos que, assim como 4 moedas, possuem 2 lados diferentes. Sim, os 4 grupos podem ser divididos em 2 direções diferentes e complementares.

  1. Amor próprio.
  2. Amor ao próximo.
  3. Contemplação interior.
  4. Contemplação exterior.
  5. Significação externa.
  6. Significação interna.
  7. Ordenação interna.
  8. Ordenação externa.
Grupo Força Significado
1 1 e 2 EMOÇÃO
2 3 e 4 SENSAÇÃO
3 5 e 6 INTUIÇÃO
4 7 e 8 INTELECÇÃO

Qualidades de cada grupo: 1. Amar. 2. Penetrar. 3. Transcender. 4. Ordenar.

Função de cada grupo: 1 e 4: Ordenar a informação (perceber). 2 e 3: Julgar a informação (julgar).

Se damos signifcado ao que está fora de nós, guardamos uma mémoria rica em significado, logo, o acesso será através da contemplação interior (o que pode ser enganoso em alguns casos, como em muitas pessoas que vivem ilusões amorosas). Mas se damos significado ao que está dentro (Significação interna), logo, usaremos da contemplacão exterior para obter os dados e teremos a tendência de proteger o mundo externo que contemplamos. Em outros casos, o desejo será o de defender o mundo interno. Se buscamos salvar as informações de maneira ordenada, vamos ler de maneira ordenada e a necessidade interna será a de revisar as informações guardadas de modo a fazer o purgatório de idéias.

Agora há pessoas que desenvolvem a vírtude de ordenar as informações internas e esse foco de processamento acaba atrapalhando no processo de ordenar o mundo exterior. São os inventores Vs os estrategistas. Os matemáticos Vs os lógicos. Poetas Vs Gramáticos. Cada pessoa vai escolher o lado que fornecer maior conforto e tal conforto está determinado na estrutura da própria alma. Nenhum é mais importante do que o outro e todos são necessários. No entanto, cada personalidade vai escolher uma ordem e, consequentemente, uma direção para cada qualidade – interna ou externa.

Lembrando que todos podem aproveitar cada uma das forças, mas existem preferências, já que elas correm em direções diferentes umas das outras. O amor – no sentido mais passional – e a ordem – na justiça completamente imparcial que segue as regras do jogo à risca – podem entrar em harmônia mas não podem andar na mesma direção. Perdão e punição andam em direções opostas. Quem aplica a justiça necessita da mais absoluta integridade interior, do contrário, será um tirâno, pois as direções complementares que cada alma tem estão em oposições polares. Quem tem a ordem exterior e busca a justiça, tem o amor interior e ama a si próprio, logo, deverá desenvolver um senso moral muito forte e práticar a compaixão, pois é uma fraqueza que eventualmente pode se expressar ou no ódio ou em dar tudo para o próximo sem pensar em si. O que reprimimos pode, um dia, aparecer com força total e avassaladora quando nossas forças conscientes cansarem por doença ou outro estado de inferioridade psiquica.

No entanto, no caso de quem busca amar ao próximo mais do que a si próprio, estará fadado a ser duro consigo mesmo pois a justiça estará voltada ao mundo interior. Mas existem casos de doenças na alma onde, por exemplo, uma pessoa que tem a justiça externa ame por um senso de dever e se puna por ter enfraquecido o amor próprio para se sacrificar por outra pessoa. É alguém que está agindo de maneira oposta a própria estrutura e, por não ter se amadurecido em tal estilo de vida por saber ser uma etapa de transição, vê-se num estado de total ruptura com a própria personalidade e entrará em depressão por não conhecer a si próprio. Além de muitas outras possibilidades (como a automutilação de uma adolescente problemática por ter perdido um bom provedor e se culpa em nome do conforto que perdeu). Mas, em suma, aqui no que tange as 8 forças estou falando de 8 estruturas por onde a energia corre. A forma.

A energia corre para o mundo interno e externo de diferentes formas. A harmonia, como já disse, surge quando o indivíduo aprende a usar cada função de maneira equilibrada. Pessoas diferentes para tarefas diferentes. Surge, portanto, uma necessidade de universalizar as pessoas para que haja uma compatibilidade geral.

No entanto, existe a necessidade tática de tratar cada um da forma tal como é, para uma administração ordenada do sistema: pode ser uma empresa, família, ordem religosa, escola e assim por diante. Vou chamar isso de engenharia social (ainda que muitos associem com acessar informações confidênciais de uma empresa através dos funcionários despreparados). Um engenheiro de software vai pensar em todas as possibilidades do run time do programa. Desde os erros até as correções automáticas que podem ser feitas. Depois, cabe ao administrador de sistemas observar o comportamento do software, reportar as falhas e a equipe de suporte vai realizar as devidas modificações.

Há um vasto tópico em Ciências da Computação sobre teste de softwares. Mas em sociedades humanas os testes implicam no risco de matar milhões de inocentes. Um programador meia boca, tipo Karl Marx, vai conseguir um saldo de mortes enorme num genocídio para implantar o comunismo. Nas relações humanas, a experiência dos antigos é muito preciosa. Note que não estou falando de religião, é um outro assunto. Estou falando de aprender com os erros e acertos do passado.

A filosofia anda em círculos. Por hora, já temos reflexões o bastante das 8 forças e sabemos que em cada ser humano elas vão se manifestar de maneiras distintas. No entanto, vamos dizer que as funções cognitivas sejam o corpo enquanto há uma parte da alma que está acima delas e que é comúm em todas as pessoas. Pode ser em preto e branco, em termos de raciocínio binário de verdadeiro ou falso, ou pode ser matizado, no sentido de que há outras possibilidades a serem exploradas. Ambas as divisões encontram-se em oposições polares mas ainda sim, regulam o restante do ser.

A alma em preto e branco

São as estruturas por onde a energia será canalizada. Para ser mais específico, é uma alma racional. Vamos pensar no famoso experimento de Maria no quarto preto e branco:

“Maria é uma cientista, e a especialidade dela são as cores, ela sabe tudo que tem que saber sobre as cores, toda e qualquer propriedade que as cores podem ter. Mas ela mora em um quarto preto e branco, ela nasceu lá e foi educada lá. Maria só consegue observar o mundo exterior em um monitor preto e branco. E um dia, alguém abre a porta, Maria sai andando e ela vê o céu azul, naquele momento ela aprende uma coisa que todo estudo dela não pode explicar, ela aprende o sentimento de ver as cores.” – Frank Jackson, 1982. Texto extraído do filme Ex-Machina e transcrito no site O Super Nerd.

Ou é verdadeiro ou é falso. 0 ou 1. É a estrutura de um programa de computador. Busca a ordem. É uma parte necessária do ser pois ninguém sobrevive no caos. Ela pode estar consciente ou não. No caso de estar consciente, será a prioridade e vice-versa.

Os fins justificam os meios. Não importa a forma como o objetivo será alcançado, o importante é que ele seja alcançado. A substância importa mais do que o processo.

A alma matizada

_É meu pai, é minha família. E isso deveria acabar pelas minhas próprias mãos.

Os fins precisam de uma história. Os meios devem conter algum significado emocional em cada impressão pois é algo que será recordado pelo processo, não pela substância.

Uma vez que a alma em preto e branco é estruturada, a alma matizada é a versão colorida das formas. Já não pode mais ser expressada em esquemas. Pode ser as cores de uma degeneração ou da perfeição. O universo segue uma hierarquia necessaria para a manutenção da ordem.

Ocasionalmente é difícil que alguma pessoa normal esteja em uma das bordas pois sempre terá um balanço de cor e estrutura. O que ocorre é que quem vive de cores esquece das formas e quem vive de formas esquece das cores.

Pintar um objeto de uma cor diferente não mudará a natureza do mesmo.

A cor, a vida, não pode surgir no caos como algo belo. Do contrário, levará a destruição. A alma matizada é dependente da alma em preto e branco no sentido mais estrito da submissão. Nota-se que são duas partes do ser. No entanto, ela não serve para ter um fim. Ela serve, portanto, para o momento presente.

A alma matizada é a alma no presente, livre de perturbações – pois o destino e origem estão em outra parte da mesma – e apenas expressando o próprio formato. A necessidade da alma matizada é, portanto, a de expressar a indivídualidade. Busca preencher o vázio racional com a vida emocional.

Os contos de fadas mostram a princesa inútil, mas bela, que se encontra com o principe foda pra caralho que faz todo o trabalho duro para que ela o alegre para sempre. Sim, jovem, é algo bem patriarcal. Mas os contos de fadas estão escondendo um símbolo. Tal símbolo é da pessoa completa.

Vida monocromática

O voi che siete in piccioletta barca, desiderosi d'ascoltar, seguiti dietro al mio legno che cantando varca, [tornate a riveder li vostri liti:] Non vi mettete in pelago, ché forse, perdendo me, rimarreste smarriti. L'acqua ch'io prendo giá mai non si corse; Minerva spira è conducemi Appollo, è nove Muse mi dimostran l'Orse.

VÓS, que em frágil barquinha navegando, Desejosos de ouvir, haveis seguido Meu baixel, que proeja e vai cantando, Volvei à plaga, donde haveis partido, O pélago evitai; que, em me perdendo, Vosso rumo talvez tereis perdido. Ondas ninguém cortou, que vou correndo, Sopra Minerva e me conduz Apolo E o Norte as Musas mostram-me, a que eu tendo.

- A DIVINA COMÉDIA, CANTO II – Dante.

Em ambos os casos de uma pessoa que vive em preto e branco ou de forma matizada, cheia de emoções, há uma estrutura oposta da qual não é notada.

Uma vez que a harmonia cognitiva depende de boas condições de saúde e, como sabemos sobre a ciência dos vícios, implica que o prazer excessivo também pode destruir um cérebro, é necessário uma boa dosagem entre prazer e dever.

Levando isso para mais pessoas, nota-se a necessidade da harmonia interpessoal. No entanto, o mundo é caótico. O Brasil nem se fala, quando alguém precisa de silêncio para fazer algo importante, imediatamente surge um filho da puta com carro de gás ou de ovo fazendo barulhos infernais que podem ser escutados num raio de 2km.

Estruturas que permitem a colaboração coletiva e as liberdades individuais. Bem sei que nunca que o mundo chegará em tal patamar, especialmente nessa etapa de governo de filhos da puta. Portanto, um estilo de vida harmônico é escolha pessoal de cada um. Mas... Para quem que não é indicado?

É um ideal para quem deseja ter paz de espírito e uma vida de qualidade. Permite lutar por aprimoramentos no mundo, mas, sem participar do mesmo. É uma posição estratégica que permite cultivar conhecimento, saúde e talentos. Parte do entendimento do real tal como ele é. Seco, equilibrado, contém cores mas não exagera. Contém estruturas em tudo. Por isso que é monocromático. Ou melhor, estrutura de cores monocromáticas.

Qual é a premissa fundamental, portanto, que vai guiar os passos até o desenvolvimento de tal estilo? A palavra-chave é órdem. Vejamos no caso do tempo. Sabemos que se, ao retroceder em tudo que é cognoscível no universo, buscando as origens, é necessário que haja um ponto onde não se pode mais retroceder. O começo de todas as coisas. Sendo ou não sendo algo cíclico, terá, por definição, a origem acima do tempo. Se está acima do tempo, está acima do espaço e da matéria. Está acima, sobre, o natural.

No natural, entretanto, encontra-se ordem. É admirável a precisão matemática do universo. A forma como o mesmo se comporta, em vários padrões belos, bem estruturados até que tal magnitude permitiu que tudo isso tivesse como centro a vida consciente neste planeta. Como seres humanos, somos criação do universo. Temos consciência dentro do universo. O universo existe dentro do natural. O natural tem suas leis regidas pelo sobrenatural. Logo, a consciência humana é a imagem da consciência sobrenatural que arquitetou todas as coisas.

O objetivo da consiência sobrenatural no universo exterior à nossa mente é o de manter a ordem. Se tiver que dar um terremoto que matará milhões de inocentes para manter as coisas funcionando, vai acontecer tal terremoto. É inevitável. Como tal consiência sobrenatural, a sobre-cosnciência, nossa consciência serve para colocar ordem em nós mesmos. Em outros termos, onde nosso poder alcançar vamos buscar a ordem.

Pessoas doentes buscam o caos acreditando que estão buscando a ordem. Na lei natural, comúm em todos os povos, vemos que existe um padrão moral comúm: não matar, roubar, trair o povo e a família e assim por diante. Vemos também que as pessoas que quebram as leis naturais acabam criando sistemas opressivos ainda piores do que a crueldade da natureza em si. É fundamental aprender com a experiência dos povos antigos para construir amplos horizontes de consciência. Pois eles vão revelar melhor como funciona a ordem na natureza humana.

Obter conhecimento é parte fundamental de qualquer estilo de vida que busca a ordem. Cada um deve fazer de acordo com a própria religião ou filosofia de vida. Na minha experiência com religiões eu percebi que é a nossa vida que vai definir o que seremos depois dela. Em suma, nosso corpo morre mas nossa consciência não. Portanto, o foco deve ser a realidade pois o que vem depois da mesma ainda não nos diz respeito.

Algumas pessoas tentam entrar em contato com a ordem suprema. Eu tive várias razões para perceber que tal ato só levará a loucura. As pessoas ficam sugestionáveis e chamam de milagre qualquer evento que não compreendem e sequer investigam o que realmente está acontecendo. Nós é quem damos significado aos eventos externos dando anjos, deuses e qualquer outra coisa aos eventos e isso ofusca o intelecto e adoece o método cientifico da mente.

Entendo que estou aqui e tenho que viver aqui. Há pessoas tão conscientes como eu e não posso tratar o próximo da forma como eu não gostaria de ser tratado. A caridade também não deve me destruir, mas ajudar a manter a ordem, dando algum conforto para que as outras consciências não adoeçam e produzam algo de positivo.

Há pessoas que vão escolher dar tudo de si para o próximo. Outras vão tirar tudo do próximo. Eu sou apenas um sujeito que quer ser normal. É um absurdo que alguém diga que o universo neutro, que se equilibra através de oposições polares em conflito, é fruto de uma consciência que vai me destruir se eu não estiver em um extremo polar que vai me adoecer. A própria prática do Rosário Católico me adoeceu e conheço muitos casos de camaradas que ficaram permanentemente inválidos por conta disso!

Não cabe a este artigo entrar em profundidade sobre o assunto do cristianismo mas adianto que é uma religião morta de uma civilização que será tratada, futuramente, da mesma forma que a Grega ou Romana. É a Tabula Rasa das civilizações. Nascem, com deuses e ídolos, tem o auge e depois são conquistadas ou destruídas pelos próprios membros tolos.

Eu não tenho o dever de quebrar a cabeça por uma coisa morta. Ser conservador nos dias de hoje é acreditar que vai re-erguer algo que não tem mais como se levantar. É, também, deixar uma brecha para que inimigos entrem em nossas vidas por compartilharem do mesmo rótulo de “cristão” bonzinho. Como muita vagabunda que só usa do cristianismo quando convém, mas que segue um código de conduta próprio que busca apenas a auto-preservação enquanto os homens são criados para serem vassalos estúpidos que se sacrificam com chifres na testa.

Eu busco apenas manter a ordem em mim mesmo e no ambiente em torno como forma de preservar minhas emoções. Tento adicionar cor mas por ter a natureza em preto e branco acabou que as cores ficaram monocromáticas e isso é bom. É uma forma de adaptação que funciona e este estilo me permite ver as coisas da forma tal como são, não da forma que as pessoas dizem ser.

Lutar para forçar a suposta perfeição nas pessoas ou o paraíso terreno é inútil. Mas lutar pela liberdade e para proteger a ordem e o bem estar das pessoas que não contribuem com o caos é, pois, o estado neutro que permite a paz. Clareza de percepção permite a clareza de ações, táticas e assim por diante. Logo, é o que permite as estratégias para expandir a ordem.

Inda que seja no profundo Inferno: Reinar no Inferno preferir nos cumpre À vileza de ser no Céu escravos.

- Paraíso Perdido – John Milton.

Conclusão

O estilo de vida proposto para a harmonia cognitiva pode ser uma posição estratégica para quem tem algum outro plano – como um sacrifício maior em nome de alguma causa – ou mesmo a zona de estabilidade para quem simplesmente quer uma vida confortável, livre de perturbações.

Uma feminista fanática poderia tirar proveito tanto quanto um MGTOW convicto para se livrarem do machismo patriarcal ou do estado ginocêntrico. Um Cristão poderia tirar proveito para que, através de uma posição livre das influências doentias deste século de degenerados, tentar lutar pela restauração da cristandande e da nova cultura. Mesmo um ateu pode se beneficiar pois não teria qualquer compromisso com o sobrenatural/consciente inacessível mas apenas com a realidade objetiva e disso poderia começar alguma pesquisa benéfica.

Encontrar o lado bom em cada ser humano é uma vírtude. Eu mesmo odeio assumir rótulos, religiões e causas porque nenhum é pleno. Não há senhor digno de ser servido. Mentem para nós, enfiam um mestre dos fanthes na nossa alma que serve para as figuras de autoridade de determinada ordem nos controlar e, por fim, destruir e usar. Já encontrei ateus com concsiência moral muito melhor que a de muitos cristãos. Em outros momentos, apesar das desgraças do feminismo, já encontrei mulheres nesse meio que tinham valores corretos ainda que sendo usadas como peões num jogo maior. Eu não sou melhor que uma pessoa boa por pertencer a um outro grupo. Meu único compromisso é com a realidade. O objetivo. A Verdade.

A vida monocromática, ou, digamos, minimalista – permitindo prazeres desde que sustentados pela ordem para que não causem algum dano futuro – e independente de afeição ou aprovação social permite que cada um descubra e personalize o próprio caminho com a consciência leve. Há muitos outros estilos de vida que impõe uma certa pressão sobre o indivíduo que o forçam a agir contra a realidade atual, vivendo em esquemas inoperantes, ineficientes que, no final, só servem para destruir a mente. Tiram por completo a cor da vida do sujeito em nome de qualquer paraíso – terreno ou não – para que o mesmo seja escravo de alguma idolatria estúpida.

Por outro lado, há quem viva de cores. Usa das estruturas racionais apenas quando convém pois deseja apenas a auto-preservação e os prazeres momentâneos. Usa e abusa do próximo e só quando se fode que aprende a valorizar a ordem, mas, como a experiência mostra, quando é tarde demais. Uma pessoa disciplinada ao extremo deverá aprender a colocar cor na vida. Por outro lado, uma pessoa dependente demais das outras, incapaz de ordenar a própria vida, terá que sofrer para a aplicação. Há também, pois, uma linha de pensamento maior que sustentou este artigo que é apenas um resumo de toda uma experiência. No entanto, por não acreditar que todos são idiotas, creio que o leitor mais esperto poderá aplicar o processo harmônico de modo benéfico. Ainda há muito o que melhorar e desenvolver por aqui e faço destas idéias uma espécie de projeto opensource.