Consciência

Hora de escrever um monte de coisas óbvias.

Algo que muitos não possuem. No princípio, a função mais básica do ser é a de autopreservação. Instintos mais básicos e, como sabemos sobre as 5 funções mais básicas que o cérebro possue para obter o prazer, são os de se alimentar, buscar por novidades, amigos, ser amado e obter sexo (instinto reprodutor). Neste estágio, as críticas não são bem vindas de forma alguma, bem como qualquer forma de sofrimento que vá na direção contrária aos 5 prazeres. É comúm na infância, onde a primeira função cognitiva ainda está se desenvolvendo e se expressando de várias formas neuróticas.

Logo em seguida, os holofotes iluminam o palco da aprovação social. As críticas não são bem vindas pelo medo da rejeição. Se no primeiro estágio ocorre a autopreservação pessoal, no segundo ela avança um passo pois o sujeito tem a necessidade de estar sempre acolhido por um grupo. É comúm em adolescentes e adultos imaturos. O grande problema de quem vive de holofotes e aprovação social é a personalidade líquida – já que a modernidade asasim o é – por conta da necessidade de se modificar de modo a ser agradado pelo grupo. Pânico de ser diferente.

A terceira etapa consiste de personalizar o próprio ser, para se destacar e ser diferente. Já não é mais tão forte a necessidade de aprovação social pois a pessoa começa a buscar a aprovação pessoal. O processo também faz parte da adolescência – ou da imaturidade – por conta do sujeito estar tão concentrado nos castelos de cartas que constroe que qualquer crítica ou desafio é visto como forma de prejudicar os valores pessoais, e, como consequência, o próprio ser.

A consciência surge quando o indivíduo tem plena noção das coisas que vão causar danos ou prazeres e, acima de tudo, que boa parte das críticas servem para serem usadas como forma de auto-aperfeiçoamento. É onde as portas se abrem para novas possibilidades e para o desenvolvimento da inteligência emocional, pois em tal processo a pessoa aprende que há formas diferentes de obter o que se deseja de pessoas diferentes. Não ocorre mais a mesma birra e imposição nas vontades alheias, mas a negociação. Também entra a questão de estabelecer metas ao longo prazo.

Quando o indivíduo tem consciência, sabe quem é, vai buscar ser uma versão melhor de si mesmo. Autoconhecimento e a busca por significados maiores para a vida, além da maturidade necessária para assumir os próprios erros. Aumenta-se, pois, as observações de causa-e-efeito como forma de, a partir de um erro, saber como evitá-lo futuramente e agir melhor. Já não basta apenas beneficiar-se a si mesmo com algo, mas ao próximo. É também onde começam as reflexões sobre os mecânismos de defesa que não estão operando corretamente e a aplicação de correções na personalidade.

Logo em seguida, é de se esperar que a próxima etapa seja uma versão com correções, onde os erros e os mecânismos de defesa doentios se revelam apenas em momentos de estresse emocional – tendo em vista que os rastros de ΔFosB já criaram o costume de usar as redes neurais ruins e é necessário adaptar-se as novas circunstâncias – ou seja, é a nova versão intelectualmente corrigida que está buscando se preencher e se adaptar as vírtudes definitivas. Em momentos de autocontrole, é uma expressão autêntica do ser. É onde surge o desenvolvimento da terceira função cognitiva da pessoa.

Então, surge o estado de auto-consciência, ou a noção mesma dos processos consciêntes e inconscientes que moldam o comportamento do sujeito. Os conhecimentos objetivos são valorizados como forma de avaliar melhor as situações e a si mesmo. A busca pelo equilíbrio torna-se necessária diante do confronto de várias perspectivas diferentes que vão além do mero egocentrismo. A realidade torna-se o guia. A experiência e a observação/entendimento de outras perspectivas se faz necessária. Em termos de teoria cognitiva, é onde a pessoa finalmente consegue usar todas as 4 funções cognitivas para se guiar além da mera neurose. Os sistemas de defesa do ego são aplicados de maneira saudável.

Em suma, pode se dizer que o desenvolvimento saudável da consciência consiste em estar alerta sobre a realidade exterior e interior e encontrar uma forma de colocar harmonia entre ambas nos termos de presente, passado e futuro, interno e externo, emocional e racional e assim por diante. É tão natural e óbvio que nem precisava de um artigo para isso (apesar de que parece que estou vendo muitas pessoas travando em etapas do desenvolvimento natural das coisas por conta de mentiras e trapaças diversas).

Outra coisa interessante para se levar em consideração é que eventualmente alguém poderá estar em algum determinado grau de desenvolvimento da própria consciênscie e alguma forma de mentira ou manipulação psicológica pode fazer a pessoa acreditar estar em um nível superior. Relacionamentos abusivos por exemplo, em especial da mulher para o homem já que elas são as que mais cometem abusos psicológicos e estão amparadas pela cultura. Bem como a cultura pode interferir no processo de várias formas, como no caso do ginocêntrismo onde o homem se sente no dever de ser o provedor de confortos materiais e emocionais para a mulher e, se não seguir devidamente a função de escravo e vassalo, será taxado de egoísta (“você só pensa em você!”).

Em suma, há várias possibilidades para deformações, mas algo é notável é o padrão de defesas psicológicas e trapaças adotadas em cada uma das etapas. Quanto mais baixa for a etapa do desenvolvimento, mais bestial será a defesa psicológica aplicada. É algo que vai se refinando e dissimulando com a idade.